Johannes Janzen


  D O M I N G O ,   2 7   D E   N O V E M B R O   D E   2 0 1 1




Ele acaba de ser indicado para ganhar a medalha BrMASS 2011.

É um verdadeiro pioneiro da espectrometria de massas moderna no Brasil.

É Professor Titular do Instituto de Química da UNICAMP.

O laboratório ThoMSon, criado por ele, é referência nacional e internacional de espectrometria de massas.

A produção científica dele é fenomenal em quantidade (> 460 publicações) e qualidade.

Orientou e orienta um grande numero de pesquisadores que admiram a sua capacidade científica e amizade.

Então, só poderia correr atrás de uma entrevista exclusiva com o Prof. Dr. Marcos Eberlin acerca da evolução química da vida.

Aqui está ela.

(Neste post apresento somente a resposta à primeira pergunta. Em um próximo post apresento a entrevista completa).

A teoria da evolução procura explicar como as formas de vida se desenvolveram por longos períodos de tempo, mas isso ignora a importante questão do surgimento de um "sistema" vivo a partir de um "sistema" que não é vivo. Qual é a diferença entre um "sistema" vivo e um que não é vivo?

A diferença de um sistema vivo e não vivo é brutal, abismal! Vários saltos quânticos de complexidade e informação e antevidência são necessários! É tanta coisa ao mesmo tempo e no mesmo lugar que faz as estórias que lemos por aí virarem verdadeiros "contos de fada", delírios irracionais! Não há forma rudimentar de Vida, não há como se conceber um algo... querendo se organizar, vislumbrando um futuro mais "brilhante" como um ser vivo. Isto é boato, não fundamentado em fatos! A Vida depende, todos nós sabemos hoje, eu e você, de um conjunto extraordinário de moléculas e macro-moléculas! Depende da organização destas moléculas em nano-máquinas moleculares, depende da síntese controlada, precisa e altamente eficiente destas moléculas e macro-moléculas, na hora e no local certo, com a distribuição tridimensional certa (quiralidade, por exemplo). A Vida se baseia em especificações, ou seja, instruções inteligentes! Rotinas e procedimentos e detalhamento aperiódico e funcional, que não pode por principio e lógica emanar de leis. Ou seja, precisa de inteligência! Precisa de criatividade e flexibilidade! Algo que transcende em milhares de ordens de grandeza os limites de atuação de processos naturais não guiados. A Vida é isto, um tudo ou nada! Ou tudo está ali, conforme especificado e pré-determinado por uma mente inteligente, ou Nada feito! A Vida precisa, entre tantas coisas, de proteção, pois as forças naturais e os processos naturais são hostis à Vida. As forças naturais são madrastas e não as "mães" da Vida. A Vida precisa então de membranas fosfolipídicas dupla camada engenhosamente arquitetadas, precisa de um coquetel de lipídeos nestas membranas, precisa de um ajuste fino do equilíbrio destes lipídeos todos e de um sensor de temperatura conectado ao sistema de ajuste para resistir às flutuações de temperatura! A Vida precisa de energia e assim precisa de verdadeiras usinas de energia química nano-molecular: as ATP sintase, um espetáculo de engenharia química! A Vida precisa de um processo que forme polímeros (poliamidas) a partir dos 20 aminoácidos escolhidos das milhões de opções disponíveis, para com um ajuste fino das forcas intermoleculares, moldar as estruturas di-, tri e tetra-dimensionais das proteínas; precisa, então, das fábricas de proteínas mais espetaculares deste Universo, os ribossomos! Verdadeiros robôs moleculares a orquestrar com uma eficiência a formação de ligações peptídicas, evitando as reações laterais mortais à Vida, e com uma eficiência acima de 5 noves (1 erro em 1 bilhão) a em um processo frenético (várias ligações peptídicas por segundo). A vida precisa de mecanismos de controle, precisa de mecanismo de sub-divisão celular, precisa de uma macromolécula que armazene informação e a transmita, a "longa distancia", no momento certo, e toda uma maquinaria para duplicar e retificar o seu DNA. A Vida precisa ainda de ser capaz de transmitir toda a informação nela armazenada para as gerações futuras. Ou seja, para que algo seja considerado "Vida", honestamente falando, deixando a retórica em casa, ele precisa ter o que? Basicamente quase tudo, senão todo o verdadeiro arsenal de nano-máquinas moleculares e todo o software e o hardware de cópia, leitura e transmissão que as células de seres vivos possuem hoje. Vida, gente, não é coisa de amador. Não pode se dar ao luxo de ser rudimentar, de ir evoluindo do inanimado para o "animado", do caos para o ápice da organização e especificação. Vida é coisa séria, coisa de gente que faz e sabe fazer, coisa de profissional!


  Palavras-chave: química, origem da vida, vida, Marcos Eberlin, origem

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   Comentários (1)

Devo dizer que foi uma vergonha, ao menos para a ufmt. O primeiro palestrante "desafiou" os professores estudiosos da evolução mo dia anterior e o que aconteceu? Ao abriram pra perguntas ou colocações. Ao contrairio, foi um desfile de falácias e argumentos de autoridade. Leituras parciais de artigos científicos, omissão de conclusões e da variabilidade dos fatos. Fiquei com vergonha alheia ao assistir. E vai claramenteque essa foi a iimpressão geral dos alunos que estavam ali presentes. Ao menos os versados em ciências. Realmente, esse grito desesperado por atencao dessa pseudo-ciencia morta foi um epitáfio.

Enviado por: Thiago Izzo  |  Data: Ter, 09/07/2013 às 19h33   




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   Sobre mim
   Johannes G. Janzen é professor de engenharia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Possui doutorado em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo com período sanduíche na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. Tem experiência na área de Engenharia Civil e Ambiental com ênfase em Fenômenos de transporte e Hidráulica.

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