Johannes Janzen


  T E R Ç A - F E I R A ,   1 0   D E   J U L H O   D E   2 0 1 2


Por Paul L. Maier, o Professor Russell H. Seibert Professor de História Antiga, da Western Michigan University

Flávio Josefo (37 dC -. C 100) foi um historiador judeu nascido em Jerusalém quatro anos após a crucificação de Jesus de Nazaré, na mesma cidade. Devido a essa proximidade com Jesus em termos de tempo e lugar, seus escritos têm uma qualidade de testemunha “ocular” uma vez que eles se relacionam com todo o fundo cultural da era do Novo Testamento. Mas seu escopo é muito maior do que este, abrangendo também o mundo do Antigo Testamento. Suas duas maiores obras são Antiguidades Judaicas, revelando a história hebraica desde a Criação até o início da grande guerra com Roma em 66 d.C., enquanto a sua Guerra Judaica , embora tenha sido escrito primeiro, traz o registro da destruição de Jerusalém e da queda de Masada em AD 73.

Josefo é a fonte primária mais abrangente sobre a história judaica que sobreviveu desde a antiguidade, tendo permanecido praticamente intacta apesar da sua natureza volumosa (o equivalente a 12 volumes). Por causa do patrocínio imperial pelos imperadores Flavian em Roma, Vespasiano, Tito e Domiciano - Josefo foi capaz de gerar incríveis detalhes em seus registros, um “luxo” que foi negado aos escritores dos Evangelhos. Eles parecem ter sido limitados a um rolo cada uma vez que os primeiros cristãos não eram ricos. Assim, Josefo sempre foi considerado um recurso extra-bíblico crucial, já que seus escritos não apenas correlacionam bem com o Antigo e o Novo Testamento, mas muitas vezes fornecem evidências adicionais sobre personalidades, como Herodes, o Grande, e sua dinastia, João Batista, Tiago, o meio-irmão de Jesus, os sumos sacerdotes Anás e Caifás e seu clã, Pôncio Pilatos, e outros.

Neste contexto, devemos certamente esperar que ele iria se referir a Jesus de Nazaré, e ele faz -duas vezes, na verdade. Em Antiguidades 18:63, no meio de informações sobre Pôncio Pilatos (AD, 26-36), Josefo oferece a maior referência secular a Jesus de qualquer fonte do primeiro século. Mais tarde, quando ele relata eventos da administração do governador romano Albino (AD 62-64), em Antiguidades 20:200, ele volta a mencionar Jesus em conexão com a morte do meio-irmão de Jesus, Tiago, o Justo, de Jerusalém. Essas passagens, juntamente com outrasreferências não-bíblicas e não-cristãs a Jesus de fontes do primeiro século - entre elas Tácito (Anais 15:44), Suetônio (Cláudio 25), e Plínio, o Jovem (carta para Trajano ) - prova conclusivamente que qualquer negação da historicidade de Jesus é divagar sensacionalismo para desinformados e/ou desonestos.

Uma vez que as referências acima a Jesus são embaraçosas para tal, elas foram atacadas por séculos, especialmente as duas instâncias de Josefo, que provocaram uma grande quantidade da literatura acadêmica. Elas constituem o maior bloco de evidências do primeiro século para Jesus fora de fontes bíblicas ou cristãs, e podem muito bem ser a razão que as obras vastas de Josefo sobreviveram quase intactas a transmissão de manuscritos através dos séculos, quando outras grandes obras da antiguidade foram totalmente perdidas. Examinemos cada um, por sua vez.

Antiguidades 18:63
O texto padrão de Josefo diz o seguinte:
Sobre este tempo viveu Jesus, um homem sábio, se é que podemos chama-lo de um homem. Pois ele foi o realizador de feitos extraordinários e era um professor daqueles que aceitam a verdade com prazer. Ele conquistou muitos judeus e muitos dos gregos. Ele era o Messias. Quando ele foi indiciado pelos principais homens entre nós e Pilatos condenou-o para ser crucificado, aqueles que tinham vindo a amá-lo originalmente não deixará de fazê-lo, pois ele lhes apareceu no terceiro dia ressuscitou, como os profetas de a Divindade havia predito essas e inúmeras outras coisas maravilhosas a respeito dele, e da tribo dos cristãos, assim nomeada após ele, não desapareceu até hoje. (Todas as citações de Flávio Josefo, exceto o próximo, são do PL Maier, ed / trans..Josefo-As obras essenciais (Grand Rapids: Kregel Publications, 1994).

Embora esta passagem encontra-se assim redigida nos manuscritos de Josefo do terceiro século (tão cedo quanto o historiador da igreja Eusébio), os estudiosos já suspeitavam de uma interpolação cristã, uma vez que Josefo não poderia ter acreditado que Jesus era o Messias ou em sua ressurreição e manter-se, como ele fez, um judeu não-cristão. Em 1972, contudo, o professor Schlomo Pines, da Universidade Hebraica de Jerusalém anunciou a descoberta de um tradição manuscrita diferente dos escritos de Josefo escrita no décimo século pelo historiador melquita Agapius, que diz o seguinte em Antiguidades 18:63:

Neste momento, havia um homem sábio chamado Jesus, e sua conduta era boa, e ele era conhecido por ser virtuoso. Muitas pessoas entre os judeus e as outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos condenou-o para ser crucificado e morrer. Mas aqueles que se tornaram seus discípulos não abandonaram seu discipulado. Eles relataram que ele lhes havia aparecido três dias após sua crucificação e que ele estava vivo. Assim, ele talvez fosse o Messias, sobre quem os profetas relataram maravilhas. E a tribo dos cristãos, assim nomeada após ele, não desapareceu até hoje.

Aqui, claramente, é a linguagem que um judeu poderia ter escrito sem a conversão ao cristianismo. (Schlomo Pines,An Arabic Version of the Testimonium Flavianum and its Implications [Jerusalem: Israel Academy of Sciences and Humanities, 1971.])

Estudiosos se dividem em três campos básicos sobre Antiguidades 18:63:
1) A passagem original é totalmente autêntica, uma posição minoritária;
2) é inteiramente uma falsificação cristã - uma posição minoritária ainda muito menor, e
3) que contém interpolações cristãs no que era o material original de Josefo, material autêntico sobre Jesus, a posição da grande maioria, hoje, especialmente tendo em vista o texto Agapian (imediatamente acima), que não mostra sinais de interpolação.

Josefo deve ter mencionado Jesus no material do núcleo autêntico 18:63 uma vez que esta passagem está presente em todos os manuscritos gregos de Josefo, e a versão Agapian concorda bem com sua gramática e vocabulário utilizada em outros lugares. Além disso, Jesus é retratado como um "homem sábio" [sophos aner], uma frase não utilizada por cristãos, mas empregada por Josefo para personalidades como Davi e Salomão na Bíblia hebraica.

Além disso, sua afirmação de que Jesus conquistou "muitos dos gregos" não está fundamentada no Novo Testamento e, portanto, dificilmente seria uma interpolação cristã, mas sim algo que Josefo teria notado em seus dias. Finalmente, o fato de que a segunda referência a Jesus no Antiguidades 20:200, que segue, apenas o chama de Christos [Messias] sem mais explicações sugere que a identificação dele mais completa, já havia ocorrido anteriormente. Se Jesus apareceu pela primeira vez em um ponto mais tarde, no registro de Josefo, ele muito provavelmente teria introduzido uma frase como "... irmão de um certo Jesus, que foi chamado o Cristo."

Antiguidades 20:200
Esta é uma passagem extremamente importante, pois tem tantos paralelos impressionantes para o que aconteceu na Sexta-feira da paixão, e ainda assim parece ser largamente ignorado entre os estudiosos revisionistas do Novo Testamento. Ela fala da morte do meio-irmão de Jesus, Tiago, o Justo, de Jerusalém, sob o sumo sacerdote Ananus, filho do ex-sumo sacerdote Anás e cunhado de Caifás, ambos bem conhecidos a partir dos Evangelhos. O texto de Josefo diz o seguinte:

Tendo tal caráter ["imprudência e ousadia" no contexto], Ananus pensou que com a morte de Festus e com Albino ainda no caminho, ele teria a oportunidade adequada. Convocando os juízes do Sinédrio, ele trouxe diante deles o irmão de Jesus, que foi chamado de Cristo, cujo nome era Tiago e alguns outros. Ele os acusou de terem transgredido a lei e os entregou para ser apedrejados. Mas dos moradores da cidade que eram consideradas os mais justos e que estavam em estrita observância da lei ficaram ofendidos com isso. Assim, eles secretamente contataram o rei [Herodes Agripa II], instando-o a ordenar Ananus a desistir de quaisquer outras ações dessas, pois ele não tinha justificado naquilo que já tinha feito. Alguns deles foram até mesmo ao encontro de Albinus, que estava a caminho de Alexandria, e informaram-lhe que Ananus não tinha autoridade para convocar o Sinédrio sem o seu consentimento. Convencido por essas palavras, Albinus escreveu com raiva para Ananus, ameaçando-o com uma punição. E o rei Agripa, por causa disso, o depôs do sumo sacerdócio, no qual ele havia governado por três meses.

Esta, segunda referência de Josefo a Jesus, não mostra qualquer adulteração no texto e está presente em todos os manuscritos de Josefo. Se tivesse havido uma interpolação cristã aqui, mais material sobre Tiago e Jesus teria sem dúvida sido apresentado além dessa breve passagem. Tiago provavelmente teria sido envolto em linguagem laudatória e “estilada” ",o irmão do Senhor", como o Novo Testamento define ele, ao invés de "o irmão de Jesus." Nem poderia o Novo Testamento ter servido como fonte de Josefo, uma vez que não fornece nenhum detalhe sobre a morte de Tiago. Para Josefo definir Jesus mais para frente como aquele "que foi chamado de Christos " era credível e mesmo necessário, tendo em conta os outros vinte “Jesuses” que ele cita em suas obras.

Assim, a grande maioria dos acadêmicos contemporâneos considera esta passagem como genuína em sua totalidade, e concordam com a classificação do especialista em Josepo, Louis H. Feldman, em sua notação na Biblioteca Clássica Loeb edição de Josefo: "... poucos têm dúvidas sobre a autenticidade desta passagem de Tiago"(Louis H. Feldman, tr. Josephus , IX [Cambridge, MA: Harvard University Press, 1965], 496).

A preponderância da evidência, então, sugere fortemente que, de fato, Josefo menciona Jesus em ambas as passagens. Ele fez isso de uma maneira totalmente congruente com os retratos do Novo Testamento de Cristo, e sua descrição, do ponto de vista de um não-cristão, parece extremamente justa, especialmente tendo em vista sua tendência conhecida de “taxar” messias falsos como miseráveis que induziam ao erro as pessoas e trouxeram em guerra aos romanos.

Além disso, sua segunda citação relacionada com as atitudes do sumo sacerdote e do Sinédrio contra a do governador romano espelha perfeitamente as versões dos evangelhos dos dois lados opostos no evento Sexta-feira da Paixão. E essa evidência extrabíblica não vem de uma fonte cristã tentando fazer “Os Evangelhos” ter a aparência de bom, mas de um autor totalmente judaico que nunca se converteu ao cristianismo.


Para uma discussão mais aprofundada de Josefo e sua importância para a pesquisa bíblica, consulte Paul L. Maier, ed / trans, Josephus – The Essential Works (Grand Rapids: Kregel Publications, 1994).


  Palavras-chave: Jesus, Josefo

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   Comentários (20)

Claudinof
Claudinof,se converte.


Enviado por: André Jesus  |  Data: Sex, 26/05/2017 às 02h44   

Romeiro Apologista dos Ensinamentos de Jesus
Nascido numa família Evangélica, cedo, dos meus 77 anos procurei O Caminho. Procurei em muitas direções, ouvi muitas doutrinas de muitos homens de muitas épocas em muitos lugares - todas maculadas pela mentira,ânsia do poder,inveja,vaidade ... que encontramos em toda a história da humanidade e que prosseguirá até... ...
Terá que ser Jesus o Cristo,unigénito com o pai que não tem NOME,que não temos a capacidade de ENTENDER,tão acima de nós está - para não seguirmos os Seus Conselhos?
Ele é o meu Pastor, o seu queijado tem sido o meu apoio, e creio que a Sua Palavra me mostra o Caminho Certo.
Recuso as palavras dos homens quaisquer que sejam as suas bandeiras e as suas igrejas.
Um simples abraço

Enviado por: Jorge Lopes  |  Data: Qua, 17/05/2017 às 11h04   

Sailipvoils
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Enviado por: Sailipvoils  |  Data: Qui, 11/05/2017 às 01h44   

Jesus:Personagem Historico??? NUNCA! Leiam a VERDADE!
Todos deveriam saber que a Ciencia História especifica REGRAS a serem consideradas para que AS INFORMAÇÕES contidas em um documento ou artefato possa ser considerado "histórico", assim como tambem a LÓGICA e a RAZÃO, ou seja não basta ser o artefato e ou documento apenas antigo para ser “histórico” como pensam os religiosos por exemplo.
Muitos confundem a historicidade DO DOCUMENTO e ou artefato, com a historicidade do que ele informa...
No primeiro caso, é inegável a Historicidade de um livro por exemplo, composto e editado em um determinado período da História. Representando portanto HISTÓRICAMENTE a literatura desse tempo.
Outra coisa completamente diferente são as INFORMAÇÕES que tal livro/artefato nos evidencia, pois não basta informações de UMA só fonte para supô-la REAL e FIDEDIGNA.

Ao contrário do que dizem, QUALQUER RELATO de fatos, escritos por religiosos ou não, quando não encontram paridade em OUTROS relatos CONTEMPORÂNEOS aos eventos descritos, NÃO podem serem considerados verdadeiros nem Históricos por motivos óbvios.

Se o autor pertence a alguma linha de pensamento e ou ideologia, é claro que ao compô-lo ele se deixará levar pelos conceitos e idéias a qual faz parte, impondo ao seu texto/artefato uma visão PARCIAL do que exprime nele, o que DESQUALIFICA EM MUITO sua fidedignidade.

Quando se trata de EVENTOS, em primeiro lugar temos que considerar que TODOS os relatos verdadeiramente HISTÓRICOS, são feitos por testemunhas CONTEMPORÂNEAS a eles e COMPROVADOS por textos outros divergentes até igualmente.

Por mero exemplo:
Daqui ha MIL ANOS se encontrassemos um livro de contos sobre SHERLOCK HOLMES que contem fatos e cita personagens históricos...
O livro seria HISTÓRICO, o AMBIENTE,FATOS e acontecimentos narrados nele tambem PODEM SER OU NÃO HISTÓRICOS, mas os personagens da trama que ele descreve em sua maioria NÃO!
Percebem a sutileza da questão?
Vejam esse texto (a seguir) que me convenceu MAIS UMA VEZ da POSSIBILIDADE a respeito da INEXISTENCIA HISTÓRICA DE JESUS:

"Entre as mais destacadas personalidades CONTEMPORÂNEAS que não mencionam Jesus, temos:

Sêneca, 4 a.C. - 65 d.C. Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.

Plínio, o velho, 23 d.C. - 79 d.C. História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos.

Quintiliano 39 d.C. - 96 d.C. Escreveu "Instituio Oratio", 12 livros sobre moral e virtude.

Epitectus 55 d.C. - 135 d.C. Ex-escravo que se tornou renomado moralista e filósofo e escreveu sobre a "irmandade dos homens" e a importância de se ajudarem os pobres e oprimidos.

Marcial 38 d.C. - 103 d.C. Escreveu poemas épicos sobre as loucuras humanas e as várias personalidades do império romano.

Juvenal 55 d.C. - 127 d.C.. Um dos maiores poetas satíricos de Roma. Escreveu sobre injustiça e tragédia no governo romano.

Plutarco 46 d.C. - 119 d.C. Escritor grego que viajou de Roma a Alexandria. Escreveu "Moralia", sobre moral e ética.

Três romanos cujos escritos contêm referências mínimas a Cristo, Cresto ou cristãos:

Plínio, o jovem, 61 d.C. - 113 d.C. Foi proconsul da Bitínia (atual Turquia). Numa carta ao imperador Trajano, em 112 d.C., pergunta o que fazer quanto aos cristãos que "se reúnem regularmente antes da aurora, em dias determinados, para cantar louvores a Cristo como se ele fosse um deus". Uns oitenta anos depois da morte de Jesus, alguém estava adorando a um Cristo (messias, em hebraico)! Entretanto, nada se diz sobre se este Cristo era Jesus, o mestre milagreiro que foi crucificado e ressuscitou na Judéia ou se um Cristo mitológico das religiões pagãs de mistério. O próprio Jesus teria dito que haveria muitos falsos Cristos, portanto a afirmação de Plínio não contribui em muito para demonstrar que o Jesus de Nazaré existiu.

Suetônio, 69 d.C. - 122 d.C. Em "A vida dos imperadores", com a história de 11 imperadores, ele conta, em 120 d.C., sobre o imperador Cláudio (41 a 54 d.C.), que ele "expulsou de Roma os judeus que, sob a influência de Cresto, viviam causando tumultos". Quem é Cresto? Não há menção a Jesus. Seria este Cresto um agitador judeu, um dos muitos falsos messias, ou um Cristo mítico? Este trecho não prova nada sobre a historicidade de um Jesus de Nazaré.

Tácito, 56 a 120 d.C. Famoso historiador romano. Seu "Annuals", referente ao período 14-68 d.C., Livro 15, capítulo 44, escrito por volta de 115 d.C., contém a primeira referência a Cristo como um homem executado na Judéia por Pôncio Pilatos. Tácito declara que "Cristo, o fundador, sofreu a pena de morte no reino de Tibério, por ordem do procurador Pôncio Pilatos". Os estudiosos apontam várias razões para se suspeitar de que este trecho não seja de Tácito nem de registros romanos, e sim uma inserção posterior na obra de Tácito:

1. A referência a Pilatos como procurador seria apropriada na época de Tácito, mas, na época de Pilatos, o título correto era "prefeito".

2. Se Tácito escreveu este trecho no início do segundo século, por que os Pais da Igreja, como Tertuliano, Clemente, Orígenes e até Eusébio, que tanto procuraram por provas da historicidade de Jesus, não o citam?

3. Tácito só passa a ser citado por escritores cristãos a partir do século 15.

O que é claro e indiscutível é que um período de 80 a 100 anos sem nenhum registro histórico confiável, depois de fatos de tal magnitude, é longo o bastante para levantar suspeitas. Além do mais, é insuficiente citar três relatos tão curtos e tão pouco informativos para provar que existiu um messias judeu milagreiro chamado Jesus que seria Deus em forma humana, foi crucificado e ressuscitou.

Há três autores judeus importantes do primeiro século:

Philo-Judaeus, 15 a.C. - 50 d.C., de Alexandria, era um teólogo-filósofo judeu que falava grego. Ele conhecia bem Jerusalém porque sua família morava lá. Escreveu muita coisa sobre história e religião judaica do ponto de vista grego e ensinou alguns conceitos que também aparecem no evangelho de João e nas epístolas de Paulo. Por exemplo: Deus e sua Palavra são um só; a Palavra é o filho primogênito de Deus; Deus criou o mundo através de sua palavra; Deus unifica todas as coisas através de sua Palavra; a Palavra é fonte de vida eterna; a Palavra habita em nós e entre nós; todo julgamento cabe à Palavra; a Palavra é imutável.

Philo também ensinou sobre Deus ser um espírito, sobre a Trindade, sobre virgens que dão à luz, judeus que pecam e irão para o inferno, pagãos que aceitam a Deus e irão para o céu e um Deus que é amor e perdoa.

Entretanto, Philo, um judeu que viveu na vizinha Alexandria e que teria sido contemporâneo a Jesus, nunca menciona alguém com este nome nem nenhum milagreiro que teria sido crucificado e depois ressuscitou em Jerusalém, sem falar em eclipses, terremotos e santos judeus saindo dos túmulos e andando pela cidade. Por que? O completo silêncio de Philo é ensurdecedor!

Flavius Josephus, 37-103 d.C. era um fariseu que nasceu em Jerusalém, vivia em Roma e escreveu "História dos judeus" (79 d.C.) e "Antiguidades dos judeus" (93 d.C.). Apologistas cristãos (defensores da fé) consideram o testemunho de Josephus sobre Jesus a única evidência garantida da historicidade de Jesus. O testemunho citado se encontra em "Antiguidades dos judeus". Ao contrário dos apologistas, entretanto, muitos estudiosos, inclusive os autores da Encyclopedia Britannica, consideram o trecho "uma inserção posterior feita por copistas cristãos". Ele diz que:

"Naquele tempo, nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes, do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa".

Por que este trecho é considerado uma inserção posterior?

1. Josephus era um fariseu. Só um cristão diria que Jesus era o Cristo. Josephus teria tido que renunciar às suas crenças para dizer isto, e Josephus morreu ainda um fariseu.

2. Josephus costumava escrever capítulos e mais capítulos sobre gente insignificante e eventos obscuros. Como é possível que ele tenha despachado Jesus, uma pessoa tão importante, com apenas algumas frases?"
3. Os parágrafos antes e depois deste trecho descrevem como os romanos reprimiram violentamente as sucessivas rebeliões judaicas. O parágrafo anterior começa com "por aquela época, mais uma triste calamidade desorientou os judeus". Será que "triste calamidade" se refere à vinda do "realizador de mil coisas milagrosas" ou aos romanos matando judeus? Esta suposta referência a Jesus não tem nada a ver com o parágrafo anterior. Parece mais uma inclusão posterior, fora de contexto.

4. Finalmente, e o que é ainda mais convincente, se Josephus realmente tivesse feito esta referência a Jesus, os Pais da Igreja pelos 200 anos seguintes certamente o teriam usado para se defender das acusações de que Jesus seria apenas mais um mito. Contudo, Justino, Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes nunca citam este trecho. Sabemos que Orígenes leu Josephus porque ele deixou textos criticando Josephus por este atribuir a destruição de Jerusalém à morte de Tiago. Aliás, Orígenes declara expressamente que Josephus, que falava de João Batista, nunca reconheceu Jesus como o Messias ("Contra Celsum", I, 47).

Não somente a referência de Josephus a Jesus parece fraudulenta como outras menções a fatos históricos em seus livros contradizem e omitem histórias do Novo Testamento:

1. A Bíblia diz que João Batista foi morto por volta de 30 d.C., no início da vida pública de Jesus. Josephus, contudo, diz que Herodes matou João durante sua guerra contra o rei Aertus da Arábia, em 34 - 37 d.C.

2. Josephus não menciona a celebração de Pentecostes em Jerusalém, quando, supostamente: judeus devotos de todas as nações se reuniram e receberam o Espírito Santo, sendo capazes de entender os apóstolos cada qual em sua própria língua; Pedro, um pescador judeu, se torna o líder da nova igreja; um colega fariseu de Josephus, Saulo de Tarso, se torna o apóstolo Paulo; a nova igreja passa por um crscimento explosivo na Palestina, Alexandria, Grécia e Roma, onde morava Josephus. O suposto martírio de Pedro e Paulo em Roma, por volta de 60 d.C., não é mencionado por Josephus. Os apologistas cristãos, que depositam tanta confiança na veracidade do testemunho de Josephus sobre Jesus, parecem não se importar com suas omissões posteriores.

A Encyclopedia Britannica afirma que os cristãos distorceram os fatos ao enxertar o trecho sobre Jesus. Isto é verdade? Eusébio (265-339 d.C.), reconhecido como o "Pai da história da Igreja" e nomeado supervisor da doutrina pelo imperador Constantino, escreve em seu "Preparação do evangelho", ainda hoje publicado por editoras cristãs como a Baker House, que "às vezes é necessário mentir para beneficiar àqueles que requerem tal tratamento". Eusébio, um dos cristãos que mais influenciou a história da Igreja, aprovou a fraude como meio de promover o cristianismo! A probabilidade de o cristianismo de Constantino ser uma fraude está diretamente relacionada à desesperada necessidade de encontrar evidências a favor da historicidade de Jesus. Sem o suposto testemunho de Josephus, não resta nehuma evidência confiável de origem não cristã.

Justus de Tiberíades é o terceiro escritor judeu do primeiro século. Seus escritos foram perdidos, mas Photius, patriarca de Constantinopla (878-886 d.C.), escreveu "Bibleotheca", onde ele comenta a obra de Justus. Photius diz que "do advento de Cristo, das coisas que lhe aconteceram ou dos milagres que ele realizou, não há absolutamente nenhuma menção (em Justus)". Justus vivia em Tiberíades, na Galiléia (João 6:23). Seus escritos são anteriores às "Antiguidades"de Josephus, de 93 d.C., portanto é provável que ele tenha vivido durante ou imediatamente após a suposta época de Jesus, mas é notável que nada tenha mencionado sobre ele.

A literatura rabínica seria logicamente o outro lugar para se pesquisar a historicidade de Jesus de Nazaré. O Novo Testamento alega que Jesus é o cumprimento da profecia judaica sobre o messias, crucificado no dia da Páscoa. Naquele dia, supostamente houve um terremoto em Jerusalém, a cortina de seu templo se rasgou de alto a baixo, houve um eclipse do sol, santos judeus ressuscitaram e andaram pela cidade. Três dias depois, Jesus ressuscitou e depois subiu aos céus diante de todos. Algum tempo depois, no dia de Pentecostes, os judeus de várias nações se reuniram e viram o Espírito Santo descer na forma de línguas de fogo; a igreja cristã se expandiu de forma explosiva entre judeus e pagãos, com sinais e milagres acontecendo por toda a parte. Em 70 d.C., Jerusalém foi cercada pelos romanos, que destruíram Israel como nação e dispersaram os judeus.

Ainda que os rabinos não aceitassem Jesus como o Messias, o impacto dos acontecimentos à volta de Jesus logicamente teria sido registrado nos comentários ao Talmud (os midrash). A história e a tradição oral dos judeus registradas nos midrash foram atualizadas e receberam sua forma final pelo rabino Jehudah ha-Qadosh por volta de 220 d.C.

Em seu livro "O Jesus que os judeus nunca conheceram", Frank Zindler diz que não há uma única fonte rabínica da época que fale da vida de um falso messias do primeiro século, dos acontecimentos envolvendo a crucificação e ressurreição de Jesus ou de qualquer pessoa que lembre o Jesus do cristianismo.

Não há locais históricos na Terra Santa que confirmem a historicidade de Jesus de Nazaré. Monges, padres e guias turísticos que levam peregrinos cristãos (aceitam-se doações) aos locais dos acontecimentos descritos na Bíblia dificilmente podem ser considerados pessoas isentas.

Ainda citando Zindler, "Não há confirmação não tendenciosa desses locais. Nazaré não é mencionada nem uma vez no Antigo Testamento. O Talmud cita 63 cidades da Galiléia, mas não Nazaré. Josephus menciona 45 cidades ou vilarejos da Galiléia, mas nem uma vez cita Nazaré. Josephus menciona Japha, que é um subúrbio da Nazaré de hoje. Lucas 4:28-30 diz que Nazaré tinha uma sinagoga e que a borda da colina sobre a qual ela tinha sido construída era alta o suficiente para que Jesus morresse se o tivessem realmente jogado lá de cima.

Contudo, a Nazeré de nossos dias ocupa o fundo de um vale e a parte de baixo de uma colina. Não há "topo de colina". Além disso, não há nenhum vestígio de sinagogas do primeiro século. Orígenes (182-254 d.C.), que viveu em Cesaréia, a umas 30 milhas da atual Nazaré, também não fala em Nazaré. A primeira referência à cidade surge em Eusébio, no século 4. O melhor que podemos imaginar é que Nazaré só surgiu depois do século 2. Esta falta de evidência histórica parece ser a explicação para o fato de não haver nenhuma menção a Nazaré em nenhum registro, de nenhuma origem não cristã. Ou seja, Nazaré não existia no primeiro século.
O fato é que os escritores judeus não-cristãos, gregos e romanos das décadas que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus nada dizem sobre ninguém chamado Jesus de Nazaré. Uma pessoa justa sempre estará disposta a analisar novas evidências, mas, 2 mil anos depois, o cristianismo continua tendo tantas evidências imparciais sobre Jesus quanto sobre o Mágico de Oz, Zeus ou qualquer um dos muitos deuses-redentores daquela época.
(Historiadores que negaram por omissão o jesus histórico.)

Época, Em Que (Jesus) Supostamente Teria Vivido:
Josefo [nada +2 parágrafos falsos]
Fílon de Alexandria [nada]
Plínio, o Velho [nada]
Arriano [nada]
Petrônio [nada]
Díon Pruseus [nada]
Paterculus [nada]
Suetônio [nada]
Juvenal [nada]
Marcial [nada]
Pérsio [nada]
Plutarco [nada]
Plínio, o Moço [nada]
Tácito [nada + 2 parágrafos falsos]
Justus de Tiberíades[nada]
Apolônio [nada]
Quintiliano [nada]
Lucanus [nada]
Eptectus [nada]
Hermógenes [nada]
Sílio Itálico [nada]
Statius [nada]
Ptolomeu [nada]
Apiano [nada]
Flegon [nada]
Fedro [nada]
Valério Máximo [nada]
Luciano [nada]
Pausânias [nada]
Floro Lúcio [nada]
Quinto Cúrcio [nada]
Aulo Gélio [nada]
Díon Crisóstomo [nada]
Columella [nada]
Valério Flaco [nada]
Dâmis [nada]
Favorino [nada]
Lísias [nada]
Pompônio Mela [nada]
Apiano de Alexandria[nada]
Teão de Smyrna [nada]
Leia o Livro (A Origem Do Cristianismo), De Claudinei Prieto.
Como vêem, diante de tanta OMISSÃO a respeito, sinceramente, acreditar que o jesus histórico existiu É UM EXERCICIO DE BOA VONTADE... demasiado grande para que RACIONAIS o façam...rs.

Paz e reflexões.


Enviado por: Claudinof  |  Data: Dom, 16/04/2017 às 19h07   

Yeshua
Como que as pessoas se baseiam pela data de nascimento de Jesus , se a data da era cristã está errada , Jesus ou yeshua ,ninguém sabe quando nasceu quando morreu nem o que ele disse e fez porque não existe originais sobre ele só o achismo , pegaram um modelo de um vulgo Messias da época , modificaram e atribuíram a ele um sincretismo de deuses culturas orientais e filósofo gregos , mas ele existiu sim...

Enviado por: joao de Carli neto   |  Data: Sex, 13/01/2017 às 07h42   

Acredito que Flavio Josefo mencinou Jesus de Nazaré em seu Livro.isso prova a existência Historica de Jesus.

Enviado por: Frankmar Corrêa  |  Data: Sex, 02/12/2016 às 15h48   

Jesus
Apreciei a informação relatada por Josefo

Enviado por: Adao Lopez  |  Data: Sex, 09/09/2016 às 08h04   

Josefo e Jesus
Fé e história não deviam ser misturadas. São de naturezas diferentes e conflitantes. Todavia, tudo há de ter uma explicação. A Academia, como uma criação cristã do Velho Mundo, desde sempre zela pela autobiografia da sua criadora – a nossa cultura cristã. Inicialmente, somente cristãos podiam se candidatar às universidades que se iniciaram em prédios contíguos às igrejas. Uma missa antecedia os exames a impregnar a consciência individual com o compromisso assumido com essa fé. Portanto, o compromisso entre a Academia e a fé cristã é, desde a sua origem, indissociável. Ao menos em parte do Novo Mundo, pois no Velho Mundo encontra-se em franco declínio.

Texto na íntegra: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

Enviado por: Ivani Medina  |  Data: Sáb, 30/07/2016 às 10h11   

Regy, o livros sagrado dos judeus também cita Jesus:

"Na véspera da Passagem, Yeshua foi pendurado"
-Talmud, Sanhedrin 43a.

Acho melhor você melhorar nas suas mentiras quando for mentir novamente.

Enviado por: Mathias  |  Data: Sex, 29/07/2016 às 05h48   

Exame Grafotécnico
Autores que poderiam ter escrito a respeito do Jesus bíblico, e como tal foram apresentados pela Igreja, foram Flávio Josefo, Tácito Suetonio e Plínio. Invocando o testamento de tais escritores, pretendeu a Igreja provar que Jesus Cristo teve existência física, e incutir como verdade na mente dos povos todo o romance que gira em torno da personalidade fictícia de Jesus.
Contudo, a ciência histórica, através de métodos modernos de pesquisa, demonstra hoje que os autores em questão foram falsificados em seus escritos. Estão evidenciadas súbitas mudanças de assunto para intercalações feitas posteriormente por terceiros. O problema é que os textos não passaram nos exames grafotécnicos e foram provados e dados como fraude. Uma pena. o regresso ao assunto originalmente abordado pelo autor mostra que este precisa reciclar suas pesquisas.




Enviado por: regy  |  Data: Qua, 20/07/2016 às 21h06   

Otimo manuscrito parabens

Enviado por: RAFAEL MARCOS GARCIA  |  Data: Sex, 03/06/2016 às 14h35   

Obras
Boa tarde. Gostaria de saber como faço para conseguir essas obras de Flávius Josefus.

Enviado por: Gilberto Teixeira Andrade  |  Data: Seg, 30/05/2016 às 16h20   

Sacerdote
Excelente. Gostaria de saber como adquirir
tais obras.

Enviado por: Zanoni Martins  |  Data: Qua, 30/03/2016 às 20h26   

jesus

Enviado por: davi  |  Data: Dom, 27/03/2016 às 15h15   

jesus
Tratando da ressureicao


Enviado por: joao  |  Data: Ter, 01/12/2015 às 17h02   

rafael marcos garcia
OTIMO SITE PARABENS

Enviado por: rafael marcos garcia  |  Data: Sex, 23/10/2015 às 16h04   

rafa@mprj.mp.br
Novo Testamento, juntamente com as primeiras evidências externas dos escritores cristãos do segundo e terceiro século, os autores são Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, Tiago, Pedro e Judas. Mateus, João e Pedro estavam entre os doze seguidores mais próximos de Jesus

Enviado por: rafael marcos garcia  |  Data: Sex, 23/10/2015 às 16h03   

"Josefo e Jesus"...
Por que essa história continua na penumbra? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão. http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

Enviado por: Ivani Medina  |  Data: Qua, 12/08/2015 às 12h53   

sou apreciador de toso os artigos de josefo eu para mim uma grande escola na minha vida e no meu ministeiro dou graças au meu Deus por este grande omen de Deus que nos deixo ele legando para nos em nossos dias amem

Enviado por: joaoaparecidolima  |  Data: Seg, 22/09/2014 às 20h15   

antiguidade judaica
Flávio Josefo, por pertencer ao grupo dos fariseus,dificilmente escreveria sobre aquele que combatia a prática dos fariseus, se ele não tivasse existido. O texto supracitado sugere uma certa lógica, pois a importãncia notória de um judeu, certamente era superior as discussões internas,todavia é uma contradição Josefo o chamá-lo de messias.

Enviado por: genilson dantas da silva  |  Data: Dom, 04/08/2013 às 20h24   




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   Sobre mim
   Johannes G. Janzen é professor de engenharia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Possui doutorado em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo com período sanduíche na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. Tem experiência na área de Engenharia Civil e Ambiental com ênfase em Fenômenos de transporte e Hidráulica.

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